Por que apoio a decisão da VTEX de sair temporariamente da MACH Alliance

Depois de mais de 20 anos trabalhando com tecnologia e e-commerce, vejo o mercado se movimentando com entusiasmo (e muitas vezes com exagero) em torno do conceito de composable commerce. A ideia é excelente: construir plataformas modernas, flexíveis, modulares. Mas na prática… o buraco é mais embaixo.
Recentemente, a VTEX anunciou sua decisão de se afastar temporariamente da MACH Alliance — e, sinceramente, eu entendo e apoio totalmente esse movimento.
A promessa do composable é linda — até esbarrar na realidade
Quem vive o dia a dia da operação digital sabe que o sonho de integrar os melhores serviços com total liberdade nem sempre resulta em agilidade. Muitas vezes, o que aparece é um cenário de complexidade operacional, custos ocultos e uma gestão fragmentada de fornecedores e sistemas que não se integram de forma fluida.
Já vi projetos emperrarem por dependência entre microserviços, falhas de integração, ou times sobrecarregados tentando manter um ecossistema que exige mais manutenção do que entrega. Isso sem contar o impacto negativo para marketing, produto ou conteúdo, que muitas vezes trabalham com ferramentas desconectadas e fluxos quebrados.
Composable sim, mas com responsabilidade
Não se trata de rejeitar o modelo composable. Eu mesmo defendo arquitetura modular, APIs e liberdade para personalizar. Mas acredito que a tecnologia deve servir ao negócio, não o contrário.
O risco é adotar uma arquitetura moderna só porque é tendência, esquecendo da realidade de quem está operando a plataforma no dia a dia — e de quem precisa mostrar resultado.
Por isso, a decisão da VTEX é, na minha visão, um sinal de maturidade estratégica. Continuar oferecendo uma arquitetura aberta e flexível, mas sem se prender a selos ou movimentos que nem sempre refletem as necessidades reais do lojista, é uma atitude coerente.
Em resumo
Eu prefiro ver uma empresa que tem coragem de repensar seu posicionamento do que uma que segue o hype cego. O mercado precisa de soluções que funcionem de verdade — e não apenas de conceitos bonitos para apresentações.
Composable? Sim. Mas com responsabilidade, foco no cliente e retorno real. E nisso, a VTEX segue firme no seu papel.
💡 O texto original que inspirou essa reflexão foi publicado por Mariano Gomide de Faria no LinkedIn e pode ser lido neste link.